Risco de parto prematuro: fatores, sinais e como o ultrassom ajuda

O risco de parto prematuro pode ser maior quando há histórico de nascimento prematuro, colo do útero curto ou gestação de gêmeos. Durante o pré-natal, essas informações são avaliadas junto aos sintomas e aos resultados dos exames para orientar os cuidados com a gestante e o bebê.

Entre as ferramentas disponíveis está a medida do colo uterino por ultrassom transvaginal. O exame ajuda a identificar quem pode precisar de acompanhamento específico, mas não determina, sozinho, se ou quando o parto acontecerá.

Atenção: se você está com menos de 37 semanas e apresenta contrações regulares, sangramento ou saída de líquido pela vagina, procure avaliação obstétrica imediatamente. Não espere pelo próximo ultrassom agendado.

O que é considerado parto prematuro?

O parto é considerado prematuro quando o bebê nasce antes de completar 37 semanas de gestação, ou seja, até 36 semanas e 6 dias.

Existem diferentes situações que podem levar a esse nascimento:

  • Parto prematuro espontâneo: o trabalho de parto começa antes do tempo, com ou sem ruptura prévia da bolsa.
  • Parto antecipado por indicação médica: a equipe identifica uma condição materna ou fetal em que continuar a gestação representa um risco maior do que antecipar o nascimento.

Por isso, a avaliação do risco não depende apenas do colo do útero. Algumas situações, como a pré-eclâmpsia, exigem outros cuidados e podem levar à necessidade de antecipar o parto.

Quais fatores aumentam o risco de parto prematuro?

O obstetra considera tanto o histórico da gestante quanto as condições da gravidez atual. Entre os fatores que merecem atenção estão:

  • Parto prematuro espontâneo em uma gestação anterior.
  • Gestação de gêmeos ou mais bebês.
  • Colo do útero curto ou antecedente de abertura precoce do colo.
  • Perdas gestacionais no segundo trimestre, conforme as circunstâncias em que ocorreram.
  • Determinadas cirurgias no colo uterino, como a conização.
  • Algumas infecções e sangramentos durante a gravidez.
  • Tabagismo.

Esses fatores não têm o mesmo significado em todas as gestações. A idade gestacional, os antecedentes e os achados atuais precisam ser analisados em conjunto.

Também é possível ter um parto prematuro sem fatores de risco conhecidos. A ausência de histórico não dispensa o pré-natal nem a atenção aos sintomas.

Quais são os sinais de alerta para trabalho de parto prematuro?

Antes de 37 semanas, procure uma maternidade ou um serviço de urgência obstétrica se apresentar:

  • Contrações frequentes ou regulares, mesmo que pouco dolorosas.
  • Cólicas persistentes, semelhantes às menstruais.
  • Pressão na pelve ou na parte baixa da barriga.
  • Dor lombar contínua ou diferente do habitual.
  • Saída de líquido pela vagina, em jato ou em pequenas perdas.
  • Sangramento vaginal ou mudança importante da secreção, especialmente quando aquosa ou com sangue.

Esses sinais não confirmam, sozinhos, que o bebê vai nascer naquele momento. A avaliação médica é necessária para investigar trabalho de parto, ruptura da bolsa e outras possíveis causas.

Febre e diminuição dos movimentos do bebê em relação ao padrão habitual, quando já percebidos regularmente, também exigem avaliação.

Não é necessário esperar que as contrações fiquem fortes para buscar atendimento. Um ultrassom recente dentro do esperado não afasta a necessidade de avaliação diante de novos sintomas.

Como o ultrassom ajuda a avaliar o risco de parto prematuro?

Uma das principais contribuições do ultrassom é a medida do comprimento do colo do útero, também chamada de cervicometria.

O colo é a parte inferior do útero, que se comunica com a vagina. Quando ele encurta mais cedo do que o esperado, pode haver maior risco de parto prematuro espontâneo.

A ultrassonografia transvaginal, também chamada de endovaginal, é o método de referência para obter essa medida quando ela será utilizada para orientar decisões clínicas. A avaliação pode identificar alterações antes de surgirem sintomas.

Ela complementa os demais tipos de ultrassom obstétrico realizados durante a gravidez, que têm objetivos diferentes ao longo do pré-natal.

Quando a medida do colo uterino costuma ser realizada?

O rastreamento costuma ocorrer no segundo trimestre, entre 18 e 24 semanas, frequentemente no período do ultrassom morfológico do segundo trimestre.

A medida por via transvaginal é uma avaliação específica. Não se deve presumir que ela foi realizada apenas porque houve um ultrassom pela barriga.

Em gestantes com antecedente de parto prematuro espontâneo ou outros antecedentes relevantes, o obstetra pode indicar o acompanhamento do colo a partir de aproximadamente 16 semanas. O início e a necessidade de avaliações seriadas dependem de cada caso.

Para conhecer o procedimento e suas orientações, leia também: ultrassom endovaginal para rastreio de prematuridade: quando fazer e como funciona.

O que significa ter o colo do útero curto?

Em gestações com um único bebê, a medida de 25 mm ou menos no meio da gestação é uma referência amplamente utilizada para definir colo curto, especialmente na avaliação de gestantes sem sintomas.

O resultado precisa ser interpretado conforme a semana da gravidez, o histórico obstétrico, a presença de dilatação e outros achados. Esse valor não deve ser aplicado isoladamente a qualquer fase da gestação ou situação clínica.

Colo curto indica aumento de risco, mas não significa que o parto prematuro acontecerá. Da mesma forma, uma medida acima desse valor não elimina todas as possibilidades de nascimento antecipado.

Além disso, colo curto não é, por si só, sinônimo de insuficiência cervical. O diagnóstico dessa condição considera o histórico e a avaliação clínica.

O ultrassom confirma trabalho de parto prematuro?

A medida do colo, isoladamente, não confirma trabalho de parto prematuro.

O rastreamento busca estimar o risco, geralmente em gestantes sem sintomas. Já a investigação de trabalho de parto envolve avaliação das contrações e de alterações do colo, podendo incluir exame físico, ultrassom e outros testes.

São situações diferentes, que exigem interpretações e condutas próprias.

É possível reduzir o risco de parto prematuro?

Em algumas situações, existem medidas capazes de reduzir o risco. Entretanto, nem todos os partos prematuros podem ser evitados.

O cuidado começa com o pré-natal desde o início da gravidez, a identificação dos antecedentes, o acompanhamento das condições maternas e a investigação e o tratamento de infecções quando indicados. Evitar o tabagismo também faz parte desse cuidado.

Quando existe indicação, o obstetra pode discutir intervenções específicas:

  • Progesterona vaginal: pode ser recomendada para determinados perfis de gestantes, como algumas gestações únicas com colo curto identificado antes de 24 semanas.
  • Cerclagem cervical: procedimento cirúrgico em que são colocados pontos ao redor do colo para ajudar a mantê-lo fechado. É reservado a situações selecionadas, conforme os antecedentes e os achados atuais.

Nem toda gestante com colo curto precisa de cerclagem ou de medicamento. As recomendações também diferem entre gestações únicas e múltiplas.

O acompanhamento com novas medidas do colo pode ajudar a orientar essas decisões. Repetir ultrassons, porém, não é uma medida preventiva por si só.

Repouso absoluto ajuda a prevenir?

O repouso absoluto não é recomendado de rotina para prevenir o parto prematuro, pois não apresenta benefício comprovado para essa finalidade e pode aumentar riscos, como a formação de coágulos.

Orientações sobre trabalho, exercícios e outras atividades devem ser individualizadas. Não inicie medicamentos ou restrições de atividade por conta própria.

Como organizar o acompanhamento quando existe risco aumentado?

Informe ao obstetra, desde as primeiras consultas, se já teve parto prematuro, perda gestacional no segundo trimestre, ruptura precoce da bolsa ou cirurgia no colo do útero.

Se possível, leve os registros anteriores, incluindo a semana em que o parto ou a perda ocorreu e as circunstâncias daquele atendimento.

Durante o pré-natal, esclareça:

  • Se há indicação de medir o colo uterino.
  • Quando o exame deve ser realizado e se precisará ser repetido.
  • Quais medidas preventivas se aplicam à sua gestação.
  • Quais sintomas exigem atendimento imediato.
  • Qual maternidade ou serviço procurar em uma urgência.

Avaliação do risco de prematuridade em Maringá

Na Clínica Origem, em Maringá, o Dr. Leandro Valim dos Reis e equipe realizam o ultrassom endovaginal para rastreio de prematuridade.

O exame complementa as informações do pré-natal e fornece dados para que o obstetra responsável defina o acompanhamento adequado a cada gestação.

Seu médico indicou a avaliação do colo do útero? Fale com a equipe da Clínica Origem pelo WhatsApp: (44) 99175-5544 para informações e agendamento.

Conteúdo informativo. Não substitui o pré-natal, a avaliação médica individualizada ou o atendimento de urgência diante de sintomas.

Referências

Perguntas frequentes

Já tive parto prematuro. Isso vai acontecer novamente?

Não necessariamente. O antecedente aumenta o risco, especialmente quando o parto anterior foi espontâneo, mas não determina o desfecho da próxima gravidez. O acompanhamento deve considerar a causa e a idade gestacional do nascimento anterior.

Posso ter colo curto sem sentir dor?

Sim. O encurtamento do colo pode ocorrer sem sintomas evidentes. Por isso, a ausência de dor não substitui a avaliação indicada no pré-natal. www.nichd.nih.gov

Colo curto significa que preciso ficar internada?

Não automaticamente. A necessidade de internação depende da avaliação médica, considerando sintomas, dilatação, condições da bolsa, idade gestacional e outros achados.

Posso fazer a medida do colo depois de 24 semanas?

Sim, quando houver indicação médica. Entretanto, o objetivo e a interpretação podem ser diferentes daqueles do rastreamento realizado no segundo trimestre. Diante de sintomas, a prioridade é a avaliação obstétrica imediata.

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