O parto prematuro, definido como aquele que acontece antes de 37 semanas de gestação, é uma preocupação frequente durante o pré-natal. Embora nem todos os casos possam ser previstos, alguns exames ajudam a identificar gestantes que apresentam maior risco e que podem se beneficiar de acompanhamento específico.
Uma das principais formas de realizar essa avaliação é medir o comprimento do colo do útero por meio do ultrassom endovaginal, também chamado de ultrassom transvaginal.
O exame permite observar se o colo uterino apresenta o comprimento esperado para aquela fase da gravidez. Quando ele está mais curto, o risco de parto prematuro pode ser maior — mas isso não significa que o nascimento antecipado necessariamente acontecerá.
O que é o ultrassom endovaginal para rastreio de prematuridade?
É um exame de ultrassonografia realizado por via vaginal para avaliar o colo do útero durante a gestação.
O colo uterino é a porção inferior do útero que estabelece a comunicação com a vagina. Durante grande parte da gravidez, ele normalmente permanece fechado e com comprimento suficiente para contribuir para a sustentação da gestação.
O ultrassom endovaginal permite medir esse comprimento com maior precisão do que a avaliação realizada pela via abdominal. Por isso, é considerado o método de referência quando a medida será utilizada para estimar o risco de parto prematuro ou orientar uma conduta médica.
Ultrassom endovaginal e transvaginal são a mesma coisa?
Sim. Os termos “endovaginal” e “transvaginal” são utilizados para descrever a mesma via de realização do exame.
Uma sonda fina, protegida e lubrificada é delicadamente introduzida na vagina. Ela permanece distante do bebê e permite visualizar o colo uterino de maneira detalhada.
Como a medida do colo ajuda a identificar o risco de prematuridade?
O colo do útero passa por mudanças naturais ao longo da gravidez e na preparação para o parto. Quando ocorre um encurtamento cervical mais cedo do que o esperado, pode haver maior risco de nascimento prematuro espontâneo.
A medida do comprimento cervical é, portanto, uma ferramenta de rastreamento. Ela não confirma que a gestante entrará em trabalho de parto prematuro, mas ajuda a identificar quem pode precisar de avaliação mais detalhada, acompanhamento periódico ou alguma medida preventiva.
Quanto menor o comprimento do colo em determinada fase da gestação, maior tende a ser o risco. Ainda assim, o resultado nunca deve ser interpretado sozinho.
O médico também considera:
- a idade gestacional;
- o histórico de partos prematuros;
- o número de bebês;
- cirurgias ou procedimentos anteriores no colo uterino;
- presença de dilatação;
- sintomas apresentados pela gestante;
- alterações observadas em outros exames.
A medida do colo é considerada um dos melhores preditores disponíveis para parto prematuro espontâneo, mas não funciona como uma previsão absoluta.
Quando o exame costuma ser realizado?
A avaliação do comprimento do colo uterino costuma ser feita durante o segundo trimestre, frequentemente entre 18 e 24 semanas de gestação.
Em muitos serviços, essa avaliação é oferecida no período do ultrassom morfológico do segundo trimestre. Em outras situações, o médico pode solicitar um exame específico ou recomendar medidas seriadas, especialmente quando existem fatores de risco.
A FEBRASGO aponta a avaliação do comprimento cervical entre 18 e 24 semanas como uma ferramenta importante para identificar o risco de prematuridade.
A semana mais apropriada e a necessidade de repetir o exame devem ser definidas de maneira individualizada.
Toda gestante precisa medir o colo do útero?
A medida do colo no segundo trimestre pode ser oferecida mesmo para gestantes sem sintomas ou histórico de prematuridade, especialmente quando o serviço adota uma estratégia de rastreamento universal.
Entretanto, os protocolos podem variar. A avaliação é particularmente relevante quando existem fatores associados a maior risco, como:
- parto prematuro espontâneo em uma gestação anterior;
- perda gestacional tardia;
- gestação múltipla;
- cirurgia ou procedimento prévio no colo do útero;
- malformações uterinas;
- suspeita anterior de insuficiência cervical;
- colo aparentemente curto em outro exame;
- sintomas que exijam investigação obstétrica.
A ausência de fatores de risco conhecidos não elimina completamente a possibilidade de parto prematuro. Por isso, a indicação deve ser discutida durante o pré-natal.
Como o exame é realizado?
Antes do procedimento, a gestante é orientada a se posicionar de maneira semelhante à utilizada em um exame ginecológico.
A sonda de ultrassom é protegida, lubrificada e introduzida cuidadosamente na vagina. O profissional posiciona o equipamento de forma a visualizar todo o colo uterino e obter uma medida adequada.
Durante a avaliação, é importante evitar pressão excessiva da sonda, pois ela pode modificar temporariamente a aparência e a medida do colo. A técnica padronizada também considera o posicionamento da paciente e o esvaziamento da bexiga.
O exame costuma ser rápido, embora o tempo possa variar conforme as características observadas e a necessidade de repetir medidas.
O exame dói?
O ultrassom endovaginal costuma ser bem tolerado, mas algumas gestantes podem sentir pressão ou um desconforto leve durante a introdução e a movimentação da sonda.
O procedimento deve ser realizado com cuidado, respeito à privacidade e comunicação durante todas as etapas. A paciente pode avisar a equipe caso sinta dor ou precise interromper o exame.
Precisa de algum preparo?
Em geral, não há necessidade de jejum ou de um preparo complexo.
Para a avaliação do colo uterino por via transvaginal, normalmente é solicitado que a bexiga esteja vazia, pois uma bexiga muito cheia pode alterar a aparência do colo e interferir na medida.
As orientações específicas devem ser confirmadas com a clínica no momento do agendamento.
O ultrassom endovaginal é seguro durante a gravidez?
Sim. O ultrassom endovaginal utiliza ondas sonoras e não envolve radiação ionizante.
A sonda permanece na vagina e não entra no útero nem entra em contato com o bebê. Quando realizado com indicação adequada e técnica correta, é considerado seguro durante a gestação.
O que o exame avalia?
O principal parâmetro é o comprimento do colo uterino, medido entre suas aberturas interna e externa.
Dependendo do caso, o profissional também pode observar:
- formato e aspecto do colo;
- presença de abertura do orifício interno;
- dilatação cervical;
- formação de afunilamento, também chamada de funil cervical;
- protrusão das membranas;
- alterações percebidas durante o período de observação.
Esses achados são analisados em conjunto. Uma característica isolada não deve ser utilizada pela gestante para interpretar o próprio risco.
Qual é o comprimento normal do colo uterino?
Não existe um único comprimento “normal” aplicável a todas as fases e situações da gravidez. A medida precisa ser interpretada conforme a idade gestacional, o histórico obstétrico e o tipo de gestação.
No segundo trimestre, o valor de 25 mm ou menos é frequentemente utilizado como critério para definir colo curto em gestações únicas e assintomáticas.
Isso não significa que qualquer resultado abaixo de 25 mm levará ao parto prematuro. O valor identifica um grupo com maior risco, no qual pode ser necessário avaliar medidas de prevenção ou acompanhamento.
Também não significa que uma medida acima de 25 mm elimine completamente o risco. Trata-se de uma estimativa, não de uma garantia.
O que significa ter colo curto na gravidez?
Colo curto significa que a medida cervical está abaixo do parâmetro utilizado para aquela situação clínica.
O achado está associado a maior risco de parto prematuro espontâneo, mas não permite determinar exatamente se ou quando o parto acontecerá.
A interpretação depende de fatores como:
- medida encontrada;
- idade gestacional;
- presença ou ausência de sintomas;
- histórico de parto prematuro;
- gestação única ou múltipla;
- presença de dilatação;
- evolução do comprimento cervical em exames sucessivos.
Além disso, colo curto não é automaticamente sinônimo de insuficiência cervical. O diagnóstico dessa condição exige a análise do histórico e de outros achados clínicos.
Existe tratamento quando o colo está curto?
Existem estratégias que podem ser consideradas para reduzir o risco de parto prematuro, mas a escolha não depende apenas da medida do colo.
Entre as possíveis condutas estão:
Progesterona vaginal
A progesterona vaginal pode ser indicada em determinadas gestações únicas nas quais um colo curto é identificado antes de 24 semanas.
Protocolos atuais diferenciam as recomendações conforme a medida cervical. A decisão deve ser médica, pois tipo de gestação, histórico obstétrico e outras condições podem modificar a conduta.
Cerclagem cervical
A cerclagem é um procedimento cirúrgico no qual são colocados pontos ao redor do colo uterino para ajudar a mantê-lo fechado.
Ela não é indicada automaticamente para toda gestante com colo curto. Pode ser considerada em situações específicas, principalmente conforme o histórico de prematuridade, perdas gestacionais, dilatação cervical e demais achados.
Acompanhamento do comprimento cervical
Em alguns casos, o médico pode recomendar ultrassons seriados para observar se o colo permanece estável ou continua encurtando.
A frequência das avaliações depende do risco identificado e da evolução da gestação.
Outras medidas
Dependendo da situação, podem ser necessários acompanhamento em medicina fetal, investigação de sintomas e planejamento do local mais adequado para assistência à gestação e ao parto.
Repouso absoluto, medicamentos ou qualquer outra intervenção não devem ser iniciados por conta própria.
Colo curto significa que o parto prematuro vai acontecer?
Não. O colo curto indica aumento de risco, não uma certeza.
Algumas gestantes com colo curto chegam ao final da gravidez, enquanto partos prematuros também podem acontecer em gestantes que apresentavam medidas cervicais dentro do esperado.
O principal valor do rastreamento está em identificar quem pode se beneficiar de acompanhamento e condutas individualizadas.
Qual é a diferença entre rastreamento e diagnóstico de trabalho de parto prematuro?
O rastreamento é geralmente realizado em gestantes sem sintomas, com o objetivo de estimar o risco futuro de prematuridade.
Já a investigação de trabalho de parto prematuro ocorre quando a gestante apresenta sintomas ou alterações clínicas, como contrações regulares ou mudanças no colo uterino.
O ultrassom do colo pode ser utilizado nos dois contextos, mas sua interpretação e as decisões médicas são diferentes.
Quais sinais exigem avaliação obstétrica?
O ultrassom agendado não substitui uma avaliação imediata diante de sintomas.
A gestante deve procurar orientação médica ou um serviço obstétrico se apresentar:
- contrações frequentes, regulares ou dolorosas;
- pressão intensa na região pélvica;
- dor lombar persistente ou diferente do habitual;
- sangramento vaginal;
- saída de líquido pela vagina;
- aumento ou mudança importante da secreção vaginal;
- cólicas persistentes;
- redução dos movimentos fetais, conforme a fase da gestação;
- qualquer sinal indicado como alerta durante o pré-natal.
Nessas situações, não é recomendado aguardar apenas a data de um exame eletivo.
Ultrassom endovaginal para rastreio de prematuridade em Maringá
Na Clínica Origem, em Maringá, o ultrassom endovaginal para rastreio de prematuridade é realizado pelo Dr. Leandro Valim dos Reis e equipe, com atenção à técnica do exame, à privacidade e ao conforto da gestante.
A avaliação considera o comprimento do colo uterino e outros achados relevantes para o acompanhamento da gravidez. O resultado deve ser relacionado à idade gestacional, ao histórico obstétrico e às informações do pré-natal.
Agende seu exame na Clínica Origem
Se o seu médico indicou a avaliação do colo uterino ou se você possui fatores associados a maior risco de prematuridade, entre em contato com a Clínica Origem.
Clínica Origem de Medicina Fetal e Diagnóstica
Av. Joaquim Duarte Moleirinho, 2124 – Sala 02
Jardim Betty – Maringá/PR
WhatsApp: (44) 99175-5544
Este conteúdo é informativo e não substitui o pré-natal, a avaliação médica individualizada ou o atendimento obstétrico diante de sintomas.
Perguntas frequentes
Com quantas semanas o exame deve ser realizado?
A avaliação costuma ocorrer durante o segundo trimestre, frequentemente entre 18 e 24 semanas. A semana exata depende da indicação e do protocolo adotado.
O exame pode provocar parto prematuro?
Não há evidência de que a realização adequada do ultrassom transvaginal provoque parto prematuro. A sonda permanece na vagina e não alcança o bebê.
Colo curto significa que vou entrar em trabalho de parto?
Não. O achado indica maior risco e necessidade de avaliação médica, mas não confirma que o parto prematuro acontecerá.
O valor de 25 mm serve para todas as gestantes?
Não de forma isolada. Esse é um corte frequentemente utilizado no segundo trimestre, especialmente em gestações únicas. Gestação múltipla, histórico obstétrico e outros fatores mudam a interpretação.
Quem teve parto prematuro precisa repetir o exame?
Gestantes com histórico de parto prematuro podem precisar de acompanhamento específico do comprimento cervical. O momento e a frequência devem ser definidos pelo médico.
Colo curto sempre precisa de cerclagem?
Não. A cerclagem é indicada apenas em situações específicas. A progesterona, o acompanhamento por ultrassom e outras condutas também dependem do contexto clínico.
Ultrassom endovaginal e transvaginal são diferentes?
Sim. As duas expressões se referem ao ultrassom realizado com uma sonda introduzida cuidadosamente pela vagina. A diferença está apenas no nome utilizado, não na forma de realização do exame.
