Na vida da mulher, os eventos reprodutivos como a gestação, o parto e o pós-parto tem repercussões tanto fisiológicas como psicológicas. Está tudo interligado, a mente e o corpo. Esses eventos podem ser vividos de maneira muito positiva e feliz porém, também podem ser vivenciados de formas desagradáveis: algo ameaçador, uma surpresa repentina, algo sem controle e desconhecido.
Além das mudanças emocionais, o período gravídico-puerperal é acompanhado de intensas alterações hormonais no corpo da mulher que podem aumentar o risco do aparecimento de sintomas depressivos nessa fase. Blues puerperal ou Baby blues é uma condição muito comum e que afeta até cerca de 80% das puérperas. Ele é caracterizado por um período transitório de sintomas depressivos leves e sintomas de labilidade de humor, irritabilidade, confusão subjetiva e choro. Esses sentimentos são atribuídos tanto a essas rápidas mudanças nos níveis hormonais mas também ao estresse de dar à luz e à consciência do aumento de responsabilidade inerente à maternidade. Esse quadro inicia-se geralmente dentro das primeiras 4-6 semanas pós-parto, sendo comum que os primeiros sintomas já apareçam dentro dos primeiros 10 dias pós- parto e durem alguns dias. O tratamento consiste em dar suporte e acolhimento à mulher e orientar que essas sensações são passageiras e relacionadas ao momento de vida atual.
Entretanto, existem quadros de sintomas depressivos que surgem no pós-parto e persistem por um período maior que duas semanas ou se agravam gradualmente com o tempo. Nesses casos devemos pensar na possibilidade de uma condição denominada depressão pós-parto. Esse quadro não é passageiro e necessita de avaliação e seguimento especializado com o médico psiquiatra e psicoterapia.
A depressão pós-parto geralmente é marcada por um quadro de tristeza intensa e duradoura, falta de prazer e ânimo nas atividades do dia-a-dia, choro, alterações do sono e apetite, pensamentos negativos, de incapacidade e culpa e, em alguns casos, podem ocorrer pensamentos de morte e suicídio. É comum que a mulher fique mais preocupada com o bebê e tenha dificuldades de realizar os cuidados pois está sem energia e triste.
O apoio e suporte à mãe e o auxílio nos cuidados com o bebê são essenciais para o tratamento. O uso de medicação antidepressiva será indicado se os sintomas forem moderados a graves. Depressões leves podem ser tratadas apenas com psicoterapia e suporte à mãe.
É importante salientar que metade das mulheres que desenvolvem depressão no puerpério já possuíam sintomas depressivos durante a gestação. Assim, é de extrema importância estarmos atentos à saúde mental da mulher desde a gestação para que ela possa estar preparada para vivenciar essa intensa fase de transformações com todo o prazer e a alegria inerentes ao processo espetacular de evolução da mulher: gerar um filho.

Autora: Dra. Giovana Jorge Garcia
Médica Psiquiatra – CRM PR 24.337/RQE 17.431
Essentia – Instituto de Psiquiatria e Psicoterapias
Instagram: @giovanajgarcia
Instagram: @essentiamed