A comunicação de más notícias, também chamadas de difíceis ou inesperadas (terminologias usadas no estudo de comunicação em saúde) pode ser definida como; “qualquer informação que afeta seriamente e de forma adversa a visão de um indivíduo sobre seu futuro” (Buckman, 1992). Este é um tema recorrente nos contextos médicos e da saúde, mas certamente não fazem parte do repertório da maioria dos pais. Afinal, este não é o tipo de notícia que se espera durante um acompanhamento pré-natal.
No entanto, diagnósticos de alto risco gestacional, síndromes genéticas, malformações congênitas e outras situações fetais infelizmente acontecem e são manejáveis do ponto de vista médico, mas sem dúvida causam intenso impacto doloroso em todos os envolvidos, culminando em situações emocionalmente complexas. As notícias inesperadas exigem a readaptação de condutas para aquela gestação, pois ocorre uma quebra brutal de expectativas em relação ao “bebê idealizado”, e isso geralmente provoca uma ruptura no roteiro de sonhos e planos anteriores e, o surgimento de sensações e sentimentos antagônicos, interpondo a necessidade de compreender quais aspectos afetam a criança e qual o panorama realístico que o diagnóstico possibilita (sintomatologia, tratamentos, intervenções), e ainda, a elaboração das perdas concretas e simbólicas envolvidas.
Nas palavras de Gazzola, Leite & Gonçalves (2020, p.39)
“As reações perpassam o choque, a descrença e a negação, a frustração, a raiva, a culpa e até mesmo a irritação direcionada ao médico que dá a má notícia, em um primeiro momento. A súbita quebra das expectativas da gravidez desejada e substituição por esses sentimentos geram na mãe reações ambivalentes: ora quer proteger o filho, ora o rejeita, questionando mesmo a possibilidade de não prosseguir com a gestação e sentindo culpa também por esse pensamento”.
Neste momento de desamparo que atinge a todos os envolvidos, incluindo o casal, os familiares, a comunidade, e até mesmo as equipes de cuidados; a acomodação das emoções diante do choque da notícia transcorre num período de tempo diferente para cada pessoa, pois está em jogo também a reconstrução deste lugar simbólico materno e paterno, de modo que todos os recursos disponíveis (técnicos, emocionais, espirituais, rede de apoio) podem ser necessários para o processo de aceitação do diagnóstico.
Este processo é gradativo, não linear, singular e engloba, didaticamente, algumas etapas: 1. Recebimento da notícia; 2. Reações e respostas diante do evento; 3. Elaboração e 4. Avaliação.

Em todas as etapas é importante que os pais não estejam sozinhos, pois o apoio da família, amigos e equipe fazem toda diferença. É fundamental que possam contar com informações qualificadas e com a competência de profissionais respaldados por uma abordagem humanizada das relações, ou seja, que verdadeiramente se ocupam desta condução empática, sendo solidários aos percursos de cada gestação e, consequentemente, validando e acolhendo as emoções destes pais.
Assim, os pais que enfrentam notícias inesperadas podem sentir que não foram abandonados por seus médicos e equipe de saúde, que continuam a desempenhar o protagonismo das decisões, mas podem ter a segurança de que os profissionais oferecerão perspectivas realistas, mas também com vistas otimistas para as tecnologias, recursos e possibilidades que engajem a tomada das melhores decisões compartilhadas.

Autora: Dra. Giovana Kreuz – CRP 08/07196
Dra. em Psicologia Clínica pela PUC/SP
Instagram: @kreuzgiovana